Mutum, ambição de ser aldeia lixo zero

Depois de ser o primeiro povo indígena do Acre a ganhar a titulação de suas terras, os Yawanawá do Mutum querem ser a primeira aldeia lixo zero da Amazônia. Como a penúltima das oito comunidades que formam a Terra Indígena Rio Gregório, no meio da floresta acreana, a oeste do estado, a ambição não é nada simplória. Se, no passado recente, os resíduos gerados na floresta eram, primordialmente, baseados em materiais orgânicos e facilmente absorvidos pela natureza; atualmente, não é mais assim. O capitalismo chegou com tudo nas aldeias, trazendo no seu rastro um modelo de consumo pouco amigável do ponto de vista ambiental. O medo de ambientalistas, antropólogos e cientistas sociais de que a floresta seria a próxima fronteira do lixo deixou de ser apenas uma previsão tenebrosa.  Já é uma realidade. O lixo está por toda parte, em volumes colossais, espalhado pelos oceanos, pelas cidades, pequenas, médias e grandes, e pela floresta.

 

“Se o projeto piloto na aldeia der certo, ele poderá ser replicado em outros lugares da Amazônia”, sonha a antropóloga Maria Fernanda Gebara, coordenadora do Aldeia Lixo Zero.